Ela

em

Quando a conheci, tinha entrado há pouco tempo na faculdade. Fazia Comunicação. Porém, tinha dúvidas. “Dúvidas sobre o curso?”, você pode se perguntar. Não era sobre minha formação, era mais do que isso. Tinha dúvidas sobre quem eu queria ser, com quem eu queria estar,  o que eu amava fazer. Então, encontrei-a. Na hora, ficou muito claro para mim que não era por acaso. Havia um motivo. Talvez fosse a resposta que eu precisava.

Decidi, então, conhecê-la melhor. Propus que também me conhecesse. Mandei uma carta com algumas informações sobre mim e meu número de celular. Além disso, enviei, em alguns papéis, um pouco do que eu gostaria de fazer para ela. É claro que precisava impressioná-la. Não demorou muito tempo para receber uma ligação com a proposta de um encontro. De cara já conheci várias pessoas que também se apaixonariam por ela. Isso não me causou ciúmes, como você deve pensar. Ao contrário, essas pessoas se tornaram muito importantes para mim, mas isso é história para contar mais para frente.

O segundo encontro foi mais íntimo. Cara a cara. Perguntou sobre meus interesses e minhas experiências passadas, precisei me expor totalmente. Ela me pediu até para ensiná-la a fazer alguma coisa em um minuto, achei estranho, mas tudo bem. Depois disso, me ligou novamente. Dessa vez, não era qualquer ligação. Disse que gostara de mim e me chamou para passar um tempo juntos. Não só com ela, mas com todas aquelas pessoas que eu tinha conhecido antes e muitas outras.

A partir daí, eu me entregava mais e mais. Ela me desafiava quase todos os dias, mostrava a minha capacidade de realizar trabalhos que eu nunca imaginei. Além disso,  ajudou-me a crescer, como escritora, como amiga, como pessoa. Foi uma evolução e tanto, viu. Costumo dizer que foi um progresso de peso. Quando alguns amigos perguntavam sobre ela, não entendiam meu sentimento e nem o que me fazia permanecer ali. Não  importava, só refletia sobre eles não perceberem o que perdiam. Eu desejava que todos pudessem conhecê-la em algum momento da vida.

Eu amei a casa dela no instante em que conheci. Não era grande coisa, para falar a verdade, era bem pequena,. Entretanto, passava um sentimento de aconchego e acolhimento, assim como todas as pessoas que costumavam ir para lá. A imagem do ambiente é clara na minha mente. Uma parede cor de vida, esperança e natureza, com uma foto pintada no centro. Ao lado, alguns livros que ela gostava de ler. Um puff murcho para quem precisasse descansar um pouco, pois queria que todos se sentissem bem ali. Ainda, ela pintou, na  parede, os nomes de todos as pessoas que já fizeram parte da sua história.

Eu preciso falar sobre essas pessoas. Ah, as pessoas. A quantidade variava, mas era muita. Às vezes 29, às vezes 45. Elas chegavam, passavam um tempo e iam embora. Porém,  era certo que sempre deixavam uma marca. Eram pessoas variadas, cada uma possuía um interesse diferente. Alguns gostavam de músicas, outros de poesias, palavras, fotografias, gramática. Uns gostavam de ajudar as pessoas, outros de preservar a história dela e, havia ainda, os que cuidavam do dinheiro e dos investimentos. No entanto, todos tinham algo em comum: eram apaixonados por ela.

Ela é a Facto. Mais do que uma empresa, tornou-se um lar para mim. Ainda não encontrei respostas para todas as minhas dúvidas, mas percebi que algumas não precisam ser respondidas. A Facto me ensinou que basta compreender as incertezas que existem. As incertezas servem para nos desafiar e junto com os desafios está o crescimento. Além disso, se eu tiver uma manada para buscá-las junto comigo, será mais fácil. Afinal, sou o que sou pelo que nós somos.

Texto por Milena Nunes 
Arte por Giulia Marcelino 

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