Mas nem peixe?

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Por mais que uma onda de transformações e cuidados com a saúde e alimentação tenha emergido e se popularizado recentemente, adotar a dieta vegetariana não vem de hoje. No Egito Antigo, grupos religiosos acreditavam que, ao não consumirem carnes, teriam a reencarnação facilitada na pós-vida. Na China e no Japão do século III a.C., o profeta-rei Fu Xi ensinou à população a aproveitar o relevo e o clima, propícios para o cultivo de leguminosas e cereais, que acabaram por substituir o consumo de carne, devido a inviabilidade da criação de animais de rebanho. Na Índia, alguns bichos sempre foram respeitados por representarem divindades hindus e jainistas.

O veganismo vai muito além da preocupação com a dieta ou com o meio ambiente. O pretexto do movimento é, sobretudo, a compaixão animal. Quem adota esse estilo de vida está disposto a abrir mão do consumo de carne e da utilização de roupas ou outros materiais que possuam componentes animais, por entender que é possível coexistir sem ser cruel com outras espécies. Ser vegetariano é, a partir da observação das vidas ao seu redor, reconhecer seres vivos que merecem respeito e condições dignas.

É bem provável que você já tenha ouvido diversos nomes ligados ao movimento vegano. Num primeiro momento, podem parecer confusos, mas a maioria é autoexplicativa. Ovolactovegetarianos, por exemplo, consomem ovos, leite e derivados, mas não carnes. Já o vegetariano estrito não se alimenta de nada de origem animal. O vegano, por sua vez, extingue o uso de qualquer outro produto, como lã, couro e corantes feitos de insetos. Existem algumas outras denominações mais específicas, como os ovovegetarianos, que não consomem carnes, leite e derivados; e os lactovegetarianos, os quais excluem os ovos e carnes da dieta.

Além dos motivos éticos pessoais e os referentes à saúde, há também a questão ecológica. No relatório A Longa Sombra da Pecuária (Livestock’s Long Shadow), da Food and Agriculture Organization of The United Nations (FAO), a pecuária é apontada como uma das principais causas de diversos problemas ambientais, como erosão do solo, desmatamento, emissão de gases agravantes do efeito estufa e perda da biodiversidade. Para produzir um quilo de carne, são necessários, em média, 15 mil litros de água. O relatório também afirma que cerca de 8% da água mundial é utilizada para a irrigação de colheitas para tratamento do gado.

Por se tratar de uma mudança significativa nos hábitos alimentares, muitas pessoas desistem do vegetarianismo por não saberem por onde começar ou como manter a dieta. Quem escolhe fazer essa transição precisa ficar atento para repor os nutrientes importantes e não adoecer. Não é necessário parar de uma vez. Cada pessoa tem o próprio ritmo, e é importante respeitá-lo. Pesquise opções que se encaixem no seu dia a dia, converse com médicos (hoje, já é possível contar com profissionais especializados) e informe-se o máximo possível.

Uma vez que a decisão é tomada, é preciso ser perseverante. É uma escolha que traz benefícios em diversos aspectos e, por mais que pareça difícil no começo, torna-se natural. Com o tempo, deixa de ser um esforço e você conseguirá responder, com tranquilidade (a cada dez minutos), que não, nem peixe.

Texto por Mariah Aquino
Arte por Camila Alves

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