O limite da negatividade

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Por que um cachorro morder um homem não é notícia, mas um homem morder um cachorro é? Por causa dos valores-notícia, que são: negatividade, negatividade, negat… Calma! Como assim esse é o único critério?  Se você ligar a TV e colocar em um jornal, há grandes chances de passarem matérias sobre corrupção ou violência no mesmo instante. Mas por que isso acontece?

Existe uma herança primitiva nas pessoas, denominada cérebro reptiliano. Ele é movido pelo medo e controla os reflexos do corpo e os instintos básicos. Uma consequência disso é que os bebês aprendem a chorar antes mesmo de falar. Dessa forma, se alguém estiver em um ambiente onde há uma borboleta e uma aranha, a pessoa prestará mais atenção na aranha, pois ela pode machucá-la. Do mesmo modo, se passar uma notícia sobre assassinato e outra sobre o aumento do IDH brasileiro, a que atrairá maior atenção será a do homicídio. Sendo assim, o interesse das pessoas influencia o que a mídia reproduz. Assim, é menos provável que reportagens sobre a borboleta sejam produzidas se as pessoas querem saber sobre a aranha.

Um grande exemplo foi a falha ocorrida no Oscar de 2017, quando houve um equívoco no anúncio do resultado de uma categoria. A  PricewaterhouseCoopers (PwC), empresa de auditoria prestadora de serviços para a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, responsabilizou-se pelo erro. Logo, a maioria dos meios de comunicação difundiram o incidente, e isso denegriu a imagem e a credibilidade da organização. Entretanto, alguns meses depois do problema, o contrato entre as instituições foi renovado, e essa parte a mídia não achou interessante publicar. Ao contrário disso, houve várias notícias sobre a PwC ter perdido a contratação da Academia.

O que acontece é que as notícias negativas se espalham de maneira muito rápida, todos curtem e compartilham, e depois de postadas não há como reparar. Assim, o efeito é praticamente o mesmo do que ocorre com as correntes de Facebook: impactante e irreversível. Desse modo, com a abundância de informação negativa, ocorre a perda da sensibilidade das pessoas. Quando tragédias são mostradas, não ocasionam mais a comoção que havia antes. Agora as pessoas encaram comunicados de mortes, tráfico, brigas e outros crimes como normais. Então, situações como essas se tornaram cotidianas, pois todos os dias há um bombardeio de coisas ruins.

Por outro lado, quando vemos reportagens de boas ações, temos uma vontade maior de seguir esse exemplo. Quando transmitidas, notícias boas emocionam, pois pouco são retratadas. Assim, parece que raramente ocorrem. Por isso, os meios midiáticos deveriam ser utilizados para influenciar positivamente as pessoas, mostrar que o mundo em que todos gostariam de viver existe sim.

Manchetes sobre avanços da tecnologia, uma demonstração de amor e pequenas transformações fazem toda a diferença no dia de quem assiste. Quem sabe, assim, a sociedade acreditaria no seu lado bom e tornaria-se melhor. E você? Acredita no que há de positivo por trás da mídia negativa, aceita o que ela mostra ou lida de outra forma com isso? Lembre-se que a mudança da humanidade começa na maneira como cada um a enxerga.

Texto por Milena Nunes
Arte por Daniela Franca

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1 comentário Adicione o seu

  1. Fábio Fernandes disse:

    Parabéns Milena Nunes! Grande percepção sobre a difusão de notícias ruins! Esperamos que a sociedade um dia mude essa visão negativista das coisas.

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