O doping nas Olimpíadas: uma busca incessante por resultados

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Nos jogos olímpicos deste ano, registrou-se o recorde de doping por equipe em um evento esportivo: foram 117 atletas russos impedidos de competir. Dentre eles, todos do atletismo – esporte pelo qual a Rússia é conhecida por se destacar historicamente. A decisão foi tomada pela Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) de forma unânime. A situação se repetiu para os atletas da Paralimpíada, e a decisão do Comitê Paralímpico Internacional (ICP) foi ainda mais rígida: nenhum paratleta russo compertirá nos jogos. As punições são consideradas as mais rigorosas da história do esporte. A proporção do episódio fez com que fosse apelidado de “escândalo do doping russo”.

Quem entregou o esquema da equipe olímpica foi a russa Yuliya Stepanova, competidora de atletismo, que também acabou sendo banida dos jogos. Segundo a Associação, Yuliya teria divulgado o processo seguido pelos atletas após ter sido pega no exame antidoping. Ela nega e questiona a decisão de ser impedida de competir. A justificativa da IAAF é de que se Yuliya não fosse banida, a mensagem passada aos atletas seria de que os delatores merecem tratamento diferenciado e exclusivo, e que a intenção não era essa, mas de ser justo e impor a mesma decisão a todos os participantes da prática ilegal.

As Olimpíadas acontecem desde 1896 e são o maior evento esportivo do mundo. O prestígio e a atenção garantidos aos vitoriosos aumentam a vontade dos competidores de chegar ao pódio. Algumas vezes, os atletas recorrem a métodos ilegais e, ao invés de saírem favorecidos dos jogos, acabam prejudicados.

O uso de drogas para melhorar o desempenho de atletas pode parecer algo contemporâneo, mas o método surgiu quase junto às competições esportivas. A dopagem era utilizada desde a Grécia antiga. Na época, esportistas tomavam chás de diversas ervas e comiam cogumelos alucinógenos para melhorar o desempenho antes dos jogos.

O que hoje conhecemos como “bomba” era usado pelas tropas alemãs na II Guerra Mundial. Com o consumo, os soldados combatiam a fadiga, ficando mais alertas e dispostos. A famosa droga é a anfetamina, substância que estimula o sistema nervoso central de forma a aumentar as capacidades dos usuários, tanto no campo físico quanto no mental. É a mais popular das drogas do doping, mas o hormônio do crescimento (GH), a testosterona e a eritropoetina (EPO) também são recorrentemente utilizados com a mesma finalidade. O GH e a testosterona auxiliam na formação de músculos, enquanto a EPO aumenta a quantidade de glóbulos vermelhos, garantindo mais oxigênio para o organismo.

A criação da Convenção Internacional contra o Doping no Esporte foi aprovada em 2005, em uma Conferência Geral da UNESCO, e posta em vigor em 2007. Dentre as exigências que permitiram que o Brasil sediasse as Olimpíadas de 2016, estava a criação de uma organização nacional antidopagem. Assim, em 2011, a Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem foi integrada ao Ministério do Esporte.

O espírito ganancioso que guia tantos atletas e impede outros competidores de conquistarem o devido mérito em diversas competições parece persistir. Porém, a preocupação contra o doping é crescente, e a prática cada vez mais combatida. Por isso, pode-se prever um futuro mais justo para os atletas do mundo inteiro.

 

Texto por Camila Beatriz Lima
Arte por Ana Padilha

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