Feminismo: por dentro do movimento

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O feminismo é amplamente conhecido por prezar pela liberdade e pelos direitos das mulheres. O movimento possui múltiplas vertentes que apresentam foco em pautas diferentes, e é isso que muitos ainda não sabem.

O feminismo ao longo do tempo

Os movimentos feministas tiveram início efetivo no fim do século XIX, a partir do que os historiadores chamam de Primeira Onda Feminista. A grande reivindicação da época era o sufrágio feminino.

Nesse período, as militantes ficaram conhecidas como “sufragetes” e se voltavam também contra outras opressões, como a cultura de casamentos arranjados, os quais as privavam do direito de escolha. A Nova Zelândia foi pioneira na conquista pelo direito ao voto, em 1893, sob liderança de Kate Sheppard. No Brasil, quem deu início à mobilização e liderou as sufragetes foi Bertha Lutz.

Em 1927, a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino levou uma petição ao Senado que reivindicava o direito das mulheres ao voto a partir da aprovação do Projeto de Lei do senador – e candidato a governador do Rio Grande do Norte – Juvenal Lamartine. Na proposta do candidato, as mulheres deveriam dispor do direito de escolha dos representantes e também de estarem entre os que elaboram e votam as leis. Em 1932, o direito foi conquistado pelas brasileiras.

Tipos de feminismo

Dentre os tipos de feminismo está o liberal e o radical, os quais se subdividiram e ganharam força entre os anos 60 e 70. Para a vertente liberal, também chamada de igualitária ou universalista, o machismo é fruto de leis desiguais. Feministas liberais acreditam que a equiparidade entre homens e mulheres será alcançada a partir de ações individuais e de uma reformulação política e legal, sem a necessidade de alterar a estrutura social vigente. No feminismo radical, afirma-se que os papéis sociais inerentes aos gêneros são os verdadeiros responsáveis pela existência da hierarquia em que o controle é detido pelos homens. Para o radfem, como é conhecido, mudar completamente a conjuntura de opressão à mulher requer uma reconstrução da sociedade.

Outras vertentes feministas criticam o capitalismo. É o caso do feminismo marxista e do anarcofeminismo. Para esses dois tipos, a grande motivação da opressão contra as mulheres é a propriedade privada. Assim, a única forma de superar as desigualdades entre homens e mulheres seria por meio do trabalho e de uma reestruturação da economia capitalista, dando fim à cultura econômica que permite a disparidade entre gêneros. Feministas marxistas reforçam suas ideias em argumentos de Karl Marx, como a afirmação do filósofo de que “a família tradicional configura uma maneira de se manter a propriedade privada”. Anarcofeministas defendem, sobretudo, o fim do patriarcalismo a partir da eliminação do capitalismo.

O feminismo negro ganhou força juntamente ao movimento negro no Brasil, na década de 80. Para os seguidores dessa vertente, problemas enfrentados por mulheres negras não são contemplados pelas pautas de outros feminismos, uma vez que sofrem ao menos duplas opressões: de gênero e de raça, concomitantemente. Além dessas, compõem a agenda do feminismo negro intolerâncias referentes à religião, como o preconceito enfrentado por crenças de origens africanas.

A vertente pós-moderna, diferenciada como interseccional, objetiva conciliar debates a respeito de gênero com pautas de outras minorias. O feminismo negro é um caso de inteseccionalidade e, além dele, existem outras variações, como o feminismo lésbico e o transfeminismo. Esses grupos visam abarcar demandas de questões que ultrapassam as de gênero, considerando preceitos instituídos no contexto contemporâneo que intensificam opressões.

A opressão em números

Uma pesquisa do Instituto Avon, de 2014, revela que 3 em cada 5 mulheres jovens já foram violentadas em relacionamentos. Outros dados, obtidos no Balanço 2014 do Ligue 180, revelam que 77% das mulheres brasileiras sofrem agressões com frequência (diária ou semanalmente). Casos de estupro no Brasil são denunciados a cada três horas ao telefone da Secretaria de Políticas para as Mulheres, 180.

Em estudo do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) de 2013, 71% dos entrevistados concordaram que uma reforma política tem papel importante de garantir que o número de mulheres na lista de candidatos de cada partido seja equivalente ao de homens. Segundo dados da União Interparlamentar (UIP), o Brasil está na 121ª colocação no ranking de igualdade entre homens e mulheres na política, atrás do Iraque e do Afeganistão, numa lista de 189 países.

Apesar de terem conquistado direitos ao longo da história, as reivindicações dos movimentos feministas contemporâneos ainda existem. As exigências feministas partem de dados e estudos – como os apresentados – ou simplesmente da vivência cotidiana das mulheres. Os objetivos são os mesmos: extinguir a discriminação e as opressões que persistem na sociedade.

Texto e arte por Camila Beatriz Lima

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