Você sabe o que é o preconceito linguístico?

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O Brasil é um país de grande extensão territorial com condições sociais, regionais e históricas distintas. Apesar de a língua oficial ser o Português, os brasileiros não se comunicam de uma única maneira – há diferenças sintáticas, semânticas e fonéticas que possibilitam a diversidade da língua.

A gramática normativa, o rádio e a televisão, principalmente, buscam com frequência impor um único “jeito certo” de falar e escrever. Por meio de reportagens, os meios de comunicação propagam o preconceito convidando professores e especialistas em gramática para dar dicas e efetuar correções na maneira com que os brasileiros se comunicam. Afirmações como “é preciso dominar a gramática para falar e escrever bem” e “o certo é falar da maneira como se escreve” mostram como constantemente comete-se o erro de aproximar duas partes distintas da linguagem: a oral e a escrita.

Cada pessoa se expressa de uma maneira e a forma de expressão mostra sua identidade. A ampla variedade linguística mostra as diferentes formas que indivíduos de faixas etárias, gêneros, nacionalidades, classes socais e até mesmo grupos diferentes se comunicam. Desse modo, não dominar a gramática tradicional ou não ter conhecimento das regras presentes em livros didáticos não quer dizer que alguém fala tudo errado.

Além dos dialetos indígenas, os sotaques carioca, gaúcho, mineiro e nordestino são apenas quatro dos 16 sotaques brasileiros já reconhecidos. Muitas vezes o que é certo na fala de um, pode ser errado na fala do outro. Por exemplo, macaxeira, mandioca ou aipim, tangerina, bergamota ou mexerica: todos os termos se referem ao mesmo alimento e nenhum deles é mais correto que o outro.

O livro “Preconceito Linguístico”, do professor doutor em Filologia e Língua Portuguesa, Marcos Bagno, discute as variações da linguagem e a valorização da diversidade cultural brasileira. Para ele: “Combater o preconceito linguístico implica, ao mesmo tempo, ampliar o repertório verbal, garantindo o acesso a múltiplas formas de falar e de escrever, desde as manifestações mais espontâneas e autênticas da cultura popular até o cânone literário e a cultura erudita”. Aceitar as variedades do português é aceitar a diversidade cultural, a pluralidade da formação do povo brasileiro.

O preconceito linguístico não é apenas uma questão linguística, é uma discriminação social por diminuir a origem e a identidade de uma pessoa a partir da fala. Logo, como não há um jeito certo ou superior de falar, corrigir a forma de comunicação de alguém pode ser considerado desrespeito. Não generalize as particularidades da cultura brasileira, as variações da Língua Portuguesa são a nossa identidade!

Arte por João Galvão

Texto por Geovanna Gravia

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