Controle da mídia: negócio e poder

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Por Yasmim Perna

A forte presença dos meios de comunicação caracteriza a sociedade atual e contribui para firmar a cultura midiatizada da qual fazemos parte. Diariamente, recebemos uma série de ideias, imagens e palavras que chegam por diferentes meios. Graças a essa presença constante, as redes de comunicação são reconhecidas como negócio sinônimo de poder.

A relação entre poder e controle de imagem e informação é sustentada historicamente. Existem vários exemplos do século XX em que o alinhamento de pensamentos e transmissão de ideologias também aconteceu por meio da difusão de conteúdo midiático. Os regimes nazista e stalinista, por exemplo, fizeram dos meios de comunicação grandes aliados do controle social.

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No Brasil, as redes de telecomunicação e os veículos impressos estão sob o comando de um seleto grupo de famílias. Segundo dados da emissora britânica BBC, esse domínio é recorrente no cenário televisivo nacional.  A família Marinho, por exemplo, dona da Rede Globo, detém 38,7% dos canais nacionais de televisão, além de ser proprietária de rádios, jornais e revistas. Ainda no campo televisivo, podemos citar personalidades influentes como o pastor da Igreja Universal do Reino de Deus Edir Macedo, proprietário da Rede Record, e que detém 16,2% do mercado nacional. Outro exemplo é o empresário Silvio Santos, dono da SBT e responsável por 13,4% do cenário televisivo.

A problemática da concentração de mídia não é exclusividade do Brasil. Ao afirmar que 70% da imprensa brasileira está nas mãos de seis famílias, o fundador do Wikileaks, Julian Assange, exemplifica outros países que apresentam a mesma situação. Na Suécia, 60% da imprensa é controlada por apenas uma editora, enquanto que, na Alemanha, o conglomerado de mídia Axel Springer detém 230 jornais e está presente nos setores de rádio e TV.

Na Austrália, 60% da imprensa escrita é controlada pelo empresário Rupert Murdoch, responsável também por um conglomerado de mídias que abrange estúdios de cinema e canais de TV como a FOX. O empresário também é dono do site de relacionamento MySpace e dos jornais The New York Post e The Sun, os maiores tablóides dos Estados Unidos e Inglaterra respectivamente.

News Corporation é o grupo de empresas de comunicação fundado por Rupert Murdoch
News Corporation é o grupo de empresas de comunicação fundado por Rupert Murdoch

Segundo Adriane Roso e Pedro Guareschi, estudiosos da Comunicação, as mídias atuam a partir do poder simbólico, pois criam realidades, atribuem valores e definem pautas de discussão. Ou seja, o que está nos círculos de debate é definido pelas mídias. “Aqueles que detêm as instituições da mídia, detêm também o poder sobre a realidade, a sociedade, sobre esse novo ambiente social e cultural do mundo globalizado”, afirmam Roso e Guareschi.

Ao percebermos que grande parte da imprensa global não é democrática, nos questionamos sobre a real existência da liberdade de expressão. Através dos meios de comunicação, opiniões e pontos de vista de uma minoria são expostos de forma unilateral, movidos por interesses econômicos, mercadológicos e até religiosos.

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