Jornalismo investigativo: uma profissão de risco

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Por Luiza Garonce

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O jornalismo depende essencialmente de investigação. Caso contrário, se aproxima mais da ficção que dos fatos reais. É a busca aprofundada pela veracidade que faz da profissão o espelho do real. Mas há uma vertente do ofício que depende ainda mais dessa prática: o jornalismo investigativo. Não que outros ramos do jornalismo façam investigações rasas. A diferença, aqui, é quantitativa e não qualitativa.

A produção diária de jornais e a demanda por matérias objetivas e densas requerem eficiência jornalística em tempo recorde. A investigação profunda, a busca pelos fatos ocultos e imersão no contexto da realidade analisada são fundamentais ao jornalista investigativo, produtor de reportagens e matérias especiais que exigem maior tempo para apuração. O trabalho do jornalista investigativo requer percepção apurada, contato com muitas fontes e dúvida até com relação as mais confiáveis. É necessário questionar os fatos e pessoas envolvidas, ter visão crítica, capacidade de persuasão, coragem e um pouco de sorte também.

Há os que acreditam que o jornalismo investigativo tenha se fortalecido após a repercussão do caso Watergate na década de 70. Na época, dois jovens repórteres do Washington Post descobriram um sistema de espionagem que invadia o Comitê do Partido Democrata no edifício Watergate, em Washington, Estados Unidos. Depois de muita investigação, o jornal conseguiu provar o crime e contribuiu para que o presidente Richard Nixon fosse tirado do poder.

O ocorrido em Watergate foi transformado no livro Todos os Homens do Presidente e, posteriormente, em filme que retrata o caso do ponto de vista jornalístico. As obras repercutiram não apenas no respeito à profissão, como no aumento do número de adeptos do jornalismo investigativo pelo mundo. “Inspirados em Watergate, gerações de jovens jornalistas entraram na profissão para se tornar repórteres investigativos”, afirmou Leonard Downie Jr., vice-presidente da Washington Post Company.

Cenas do filme "Todos dos Homens do Presidente"
Cenas do filme “Todos dos Homens do Presidente”

Ainda existe a crença de que o jornalismo investigativo é capaz e indispensável à resolução de casos e responsabilização de culpados. Mas o que o jornalista investigativo faz é revelar fatos que podem gerar benefícios sociais, de forma independente do trabalho da polícia e do Ministério Público. O jornalismo tem, sim, por finalidade fiscalizar as instâncias públicas e privadas, preservar a democracia e a Constituição. Mas se tratando da vertente investigativa, o ofício pode ser muito perigoso.

A visão heroica desse ramo do jornalismo é quebrada com casos como o de Tim Lopes, assassinado por traficantes após exibição de sua reportagem “Feira das Drogas” pela Rede Globo em 2002. Segundo o Comitê Internacional de Proteção aos Jornalistas, a América Latina possui índices elevados de perigo para os profissionais da área. No Brasil, 27 jornalistas foram assassinados desde 1992, sendo que onze foram mortos nos últimos três anos.

As ferramentas tecnológicas trouxeram maior segurança e agilidade ao trabalho de investigação. Hoje, é comum que os cidadãos colaborem com os jornalistas ao enviarem fotos e vídeos amadores que ajudam na apuração dos fatos. Mas ainda é comum ouvir relatos de profissionais que sofreram pressões políticas, econômicas e sociais. Ir a campo é indispensável ao jornalista investigativo e, com isso, os perigos são inevitáveis.

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