Tudo, menos realidade

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Por Melina Fleury

“Vamos dar uma espiadinha?”, questiona o apresentador Pedro Bial durante as edições do reality show Big Brother Brasil. Nos últimos 11 anos, muitos brasileiros se acostumaram a “dar uma espiadinha” na vida dos participantes do programa e de outros do gênero, o que fez dos reality shows um sucesso crescente no país. Os programas se tornaram verdadeiros fenômenos da mídia, capazes de afetar a vida do público.

Os reality shows surgiram nos Estados Unidos como programas de auditório, no estilo de game shows. O primeiro reality show a fugir desse padrão foi o norte-americano An American Family lançado em 1973. Com 12 episódios, o programa em estilo de documentário contava a história de uma típica família norte-americana.

Ao submeter os participantes às dificuldades da vida em uma ilha deserta, o norte-americano Survivor revolucionou os reality shows e inspirou o surgimento do primeiro reality brasileiro, o No Limite. O programa estreou em 2001 na televisão nacional e seguiu os modelos do norte-americano. Em 2002, surgiu o Big Brother Brasil, que vai para a 14a edição. Em nosso país, A Fazenda e Mulheres Ricas são outros programas de sucesso. The Bachelor, Keeping Up with the Kardashians e Kate + 8 são exemplos de reality shows que alcançaram sucesso nos Estados Unidos.

"An American Family": o retrato de uma família de 1973
“An American Family”: o retrato de uma família de 1973
"Keeping up with the Kardashians": a ostentação da família moderna norte-americana
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O interesse pelo cotidiano das pessoas em um reality show explica-se pelo fato de elas não serem “reais”. Os protagonistas não vivem vidas “normais”: não saem pela manhã, trabalham, estudam e voltam para casa à noite, depois do dia cansativo. Eles vivem o que muitas pessoas gostariam de viver. Seja pelo dinheiro, pelo idealismo dos eventuais romances, ou até mesmo pelas intrigas dos programas, o cotidiano dos participantes torna-se mais interessante, aos olhos do público, do que a vida real.

Reality shows têm produtores, editores e roteiristas. O controle sobre o que acontece no programa começa na eleição dos participantes, escolhidos de acordo com os perfis. Bons editores são capazes de juntar cenas, criar diálogos e influenciar interpretações do público. Essa edição manipulada é conhecida por Edição Frankenstein. Reais ou não, os reality shows chamam a atenção do telespectador, conquistam patrocinadores e ocupam cada vez mais espaço na televisão. Quando estão no ar, batem recordes de audiência, superando telejornais e novelas, por exemplo.

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