A Imprensa Alternativa durante o Regime Militar

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Por Mayna Ruggiero

Durante o regime militar, a atuação de boa parte dos profissionais da comunicação era determinada pelo sistema político vigente. Por um lado, os jornais de grande circulação sofriam forte censura; por outro, eram a alavanca para que o governo prosseguisse com os “Anos de Chumbo”. Nesse contexto de instabilidade e repressão, o jornalismo brasileiro encontrou um viés para atuar de forma independente: a imprensa alternativa.

Enquanto a grande mídia era fortemente oprimida ou induzida a atuar em prol do governo, a imprensa alternativa representava uma forma para denunciar a repressão. Tortura, abusos de autoridade e violação dos direitos humanos eram temas ignorados ou negligenciados pela imprensa em geral. Os assuntos, então, viravam pauta para jornais como Opinião, O Sol, Jornal da República, Movimento e a revista Cadernos do Terceiro Mundo, por exemplo. A mídia alternativa reunia meios de contestação ao cenário político do país – meios que, em geral, não tiveram vida muito longa.

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A imprensa alternativa, porém, não era a única voltada à denúncia. Durante os “Anos de Chumbo”, grandes veículos de comunicação tinham jornalistas combatentes na equipe. No final de 1969, por exemplo, a revista Veja contava com profissionais contrários à política da época. Um deles era Élio Gaspari, o qual contribuiu para a publicação de duas matérias sobre tortura de presos políticos. Também cooperaram com a imprensa alternativa alguns profissionais demitidos dos grandes veículos por levar informações sobre o regime militar às páginas das revistas e jornais onde trabalhavam.

Um dos casos que alcançou maior repercussão entre os veículos alternativos foi o de Vladimir Herzog. Em dezembro de 1975, o jornalista da TV Cultura foi dado como morto. Herzog era judeu e, segundo os militares, também era comunista e se suicidara na prisão. No corpo do jornalista, foram encontradas marcas de tortura, as quais levaram à conclusão que o suicídio tinha sido forjado pelos militares. Com a descoberta, Vladimir Herzog foi enterrado dentro do cemitério judaico e não do lado de fora, como a religião determina que deva ser feito com suicidas.

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