Minha Razão de Viver – Memórias de um Repórter

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“Sempre achei que é o mundo que está à espera de um jornalista, não o contrário.” Samuel Wainer
“Sempre achei que é o mundo que está à espera de um jornalista, não o contrário.” – Samuel Wainer

 

Por Juliana Perissê

Você sabe quem publicou a famosa declaração “Só morto sairei do Catete”, de Getúlio Vargas? Quem foi o primeiro jornalista do Brasil a entrevistar Tito, presidente iugoslavo famoso pela resistência armada aos nazistas? Estes e outros exemplos entram na lista de grandes feitos do jornalista Samuel Wainer. No livro Minha Razão de Viver – Memórias de um Repórter, foram organizadas as lembranças de Wainer, ditadas por ele num depoimento que soma 53 fitas gravadas. Um livro para quem se interessa, em especial, pela história do Brasil e da imprensa.

Samuel Wainer ficou famoso pelas matérias que fez sobre Getúlio Vargas, que eram de exclusividade absoluta e muito reconhecidas pelo país. Ao lado dele, Wainer chegou ao auge de sua carreira. Ele também é conhecido pela criação, em 1938, da revista – posteriormente transformada em jornal – Diretrizes, que combatia abertamente o nazismo e a ditadura. Nela, teve a oportunidade de trabalhar com Jorge Amado, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, entre outros. O jornal Última Hora, sem vínculos com os grupos oligárquicos que controlavam a imprensa, também está entre as criações de Wainer.

Samuel Wainer, como ele mesmo diz no livro, estava “sempre no lugar certo, na hora certa”. Ele foi o único jornalista da América do Sul a cobrir o julgamento dos generais de Hitler, o Tribunal de Nuremberg; fez uma reportagem de peso com Anita Leocádia, filha de Luís Carlos Prestes e de Olga Benário Prestes; fez a primeira ligação telefônica entre Brasília e o “mundo exterior”; assistiu aos festejos do décimo aniversário da Revolução Chinesa, entre outras histórias.

Enquanto a história de Samuel Wainer progride – com altos e baixos, o leitor pode conhecer a História do Brasil, como os “bastidores dos acontecimentos”. Quem lê entende aspectos econômicos, sociais e culturais de várias épocas. A riqueza de detalhes – emocionais e técnicos – com datas e nomes, por exemplo, deixa o livro mais verídico, tangível, ao mostrar como o jornalismo, realmente, sofreu grandes influências de poderes manipuladores e da opressão, mas que os acontecimentos foram fundamentais para o desenvolvimento da  liberdade de pensamento e expressão.

"Minha razão de viver - memórias de um repórter" Samuel Wainer Organização de Augusto Nunes Editora Planeta do Brasil 2005 368 p.
“Minha razão de viver – memórias de um repórter”
Samuel Wainer
Organização de Augusto Nunes
Editora Planeta do Brasil
2005
368 p.

 

 

 

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