Nomadismo profissional

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Edição de maio de 1950 da The New Yorker
Edição de maio de 1950 da The New Yorker

Por Mariana Lozzi

Em maio de 1950, a revista The New Yorker publica “Retrato de Hemingway”, um perfil do escritor Ernest Hemingway assinado pela jornalista Lillian Ross. Trabalhos como este ilustravam a rotina da jovem Lillian, que era contratada para viajar o mundo e entrevistar ícones do século vinte. “Acabei por desenvolver amizades profundas com todos os meus perfilados”, ela costumava a dizer, deixando todos boquiabertos porque, além de Hemingway, ela já havia escrito perfis de Margareth Thatcher e Charles Chaplin.

Cinquenta e nove anos após a publicação do perfil de Hemingway na revista, as repórteres Laura Liu e Euna Lee, assim como Lillian, viajavam o mundo através do jornalismo. Em maio de 2009, as duas americanas contratadas pelo canal independente “Current TV”, arrumaram malas e deixaram o Ocidente guiadas por uma proposta ousada: atravessar a fronteira entre China e Coréia do Norte. Apesar da proibição de circulação de mídia estrangeira dentro do país comunista, Laura e Euna acreditavam que, caso sucedessem, teriam em mão uma das reportagens mais importantes da história.

Mas elas fracassaram. Durante a travessia na neve, Laura e Edna foram flagradas por dois soldados com rifles. Capturadas e levadas para dentro do país, as repórteres foram mantidas em uma prisão coreana até o dia 8 de junho, quando um juiz as sentenciou a 12 anos de trabalho braçal sem perdão e nem direito a recorrer à Justiça. Assista abaixo a um vídeo no qual Laura Liu fala sobre o tempo como prisioneira na Coréia do Norte (em inglês):

Apesar de terem tido destinos muito diferentes, tanto Lillian Ross quanto Laura Liu e Euna Lee sentiram na pele as conseqüências do fazer jornalístico. Milhares de histórias como estas, histórias sobre profissionais que desbravaram o mundo à procura de notícias, ecoam nas paredes de redações até hoje. O desejo de presenciar grandes acontecimentos, imortalizar personalidades e denunciar injustiças continua vivo e pulsante ente os jovens que escolheram o jornalismo.

Repórter, freelancer, correspondente internacional, repórter de guerra, apresentador- várias profissões ligadas ao jornalismo são associadas à possibilidade de viajar. A forte conexão com outras culturas, a vontade de respirar novos ares e pisar em novos solos vêm levado muitos jovens a ultrapassar fronteiras. Conectados através de um “click” às montanhas do Peru, aos arranha-céus de Hong Kong e às ondas o Havaí, a geração y se inspira no talento de Lillian Ross e na audácia de Laura Liu.

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