Mulheres no jornalismo: um espaço conquistado

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Regina Helena, autora do livrorreportagem “Mulheres Jornalistas – a grande invasão”, entrevistando Maysa - 1957
Regina Helena, autora do livrorreportagem “Mulheres Jornalistas – a grande invasão”, entrevistando Maysa – 1957

Por Juliana Perissê

Quem assiste os noticiários hoje e vê Sandra Annenberg, Patrícia Poeta e Fátima Bernardes, por exemplo, pode até achar que as mulheres sempre estiveram presentes nesta profissão. Porém, muito se andou na história até que elas entrassem no jornalismo e pudessem alcançar posições de prestígio neste mercado.

O aumento de mulheres no campo jornalístico se deu a partir do final da década de 30, com a profissionalização da carreira: criação de sindicatos, associações, divisão por editorias nas redações, exigência do diploma, inovações tecnológicas, entre outros. Em 1939, apenas 2,8% dos jornalistas, na capital do estado de São Paulo, eram mulheres, e os 10% foram alcançados somente em 1970. Em 1995, elas se tornaram maioria.

O jornalista José Hamilton Ribeiro relatou, por volta da década de 1930, como era a presença feminina dentro das redações: “As empresas jornalísticas eram pensadas e construídas como ambiente de sauna brega: só para homem. Nem havia banheiro feminino. No Estadão, à noite, quando fervia o trabalho jornalístico, as mulheres não eram aceitas nem na mesa telefônica. Havia mulheres como telefonistas, mas só durante o dia. À noite, um homem é que operava. Mulher podia ser telefonista, faxineira ou servia para fazer o café: circulava na área de serviço (RIBEIRO 1998: 31)”. Retirado de publicação da Revista ALTERJOR (Ano 02, Volume 01, Edição 03), da Universidade de Comunicação e Arte – USP.

No Brasil, como forma de exporem suas ideias de forma não censurada e se inserirem na esfera pública, as mulheres participaram ativamente do jornalismo alternativo, principalmente no início do século XX. A mídia alternativa, geralmente de oposição, era composta por veículos pequenos que, por vezes, combatia a mídia predominante.

O preconceito com a mulher no jornalismo foi exposto, mais recentemente, na telenovela “Lado a Lado”, da TV Globo. A história se passava no final do século XIX e início do século XX, quando a literatura, a imprensa, a psiquiatria e a medicina tentavam provar a inferioridade biológica da mulher. Em uma época em que o sexo feminino estava ligado unicamente à maternidade e à família, a personagem Laura Assunção (Marjorie Estiano) escrevia para o jornal “Correio da República” usando o pseudônimo Paulo Lima, para que seus textos e ideias pudessem ser expostos sem censura.

No link abaixo, assista ao vídeo em que a personagem Laura, de “Lado a Lado”, conta ao dono do jornal que é a verdadeira jornalista por trás do pseudônimo Paulo Lima:

http://globotv.globo.com/rede-globo/lado-a-lado/v/laura-revela-a-guerra-que-e-paulo-lima/2427094/

 

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