Martha Gellhorn: correspondente de guerra do século XX

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Martha Gellhorn

Por Mariana Lozzi

Dona de uma carreira de 60 anos de duração, Martha Gellhorn trabalhou como escritora, jornalista e correspondente de guerra. A repórter norte-americana cobriu sete conflitos armados, publicou 20 livros e diversos artigos nos quais descreveu as fortes cenas que testemunhou em suas viagens. Envolvida com as personalidades mais importantes do século XX e reconhecida por sua escrita implacável de palavras ácidas, Martha Gellhorn deixou sua marca.

A jornalista nasceu em St.Louis, Missouri, no dia 8 de novembro de 1908, filha de uma sufragista protestante e um ginecologista judeu. Aos 19 anos de idade, Gellhorn abandonou a faculdade para perseguir a carreira de jornalista, motivada por sua aversão ao fascismo ascendente na Europa. Decidida a tornar-se correspondente de guerra, Martha se mudou para Paris, e se aliou ao movimento pacifista, quando reuniu anotações que gerariam o livro “What Mad Pursuit”, publicado em 1934.

Ao retornar aos Estados Unidos, Gellhorn foi contratada para trabalhar em uma iniciativa criada pro Franklin Delano Roosevelt. Martha teria que viajar o país e reportar os efeitos da Grande Depressão (1929) sobre os civis. Seu trabalho chamou a atenção de Eleanor Roosevelt e as duas tornaram-se amigas íntimas até a morte de Eleanor, em 1962.

Martha Gellhorn e o famoso escritor Ernest Hemingway conheceram-se no natal de 1936 (mesmo ano em que seu livro “The Trouble I’ve Seen” foi publicado). Alguns meses depois, os dois partiram para a Espanha para cobrir a Guerra Civil Espanhola, enviando aos EUA reportagens que relatavam a brutalidade do conflito armado. Em 1940, Martha e Hemingway se casaram e ele dedicou a ela seu romance “For Whom The Bells Toll” (Por Quem os Sinos Dobram).

Durante o desenrolar da Segunda Guerra, Gellhorn visitou diversos países da Europa e Ásia e reportou acontecimentos diretamente da Finlândia, Hong Kong, Bruma, Singapura, Inglaterra e Alemanha, onde testemunhou a ascensão de Adolf Hitler em 1938. Martha era conhecida por ser uma boa observadora e relatava os conflitos com foco no traumático cotidiano dos civis e soldados obrigados a lutar.

Em 1945, Martha foi uma das primeiras jornalistas a entrar em Dachau após a liberação do campo de concentração pelas tropas americanas. No mesmo ano, Hemingway e ela se divorciaram (a relação dos escritores foi retratada no filme da HBO “Hemingay e Gellhorn”). Durante e depois dos anos de casamento, Martha somente dava entrevistas sob a condição de que nome de seu ex-marido não fosse mencionado. “Não quero ser uma nota de rodapé na vida de alguém”, ela dizia.

O último artigo significativo que Martha escreveu tratava da mortalidade infantil e foi fruto de uma visita ao Brasil. Diagnosticada com câncer, a escritora tirou a própria vida em 15 de fevereiro de 1998, aos 89 anos de idade. O prêmio de Jornalismo Martha Gellhorn (Martha Gellhorn Prize for Journalism) foi estabelecido em sua honra e hoje é considerado uma das maiores distinções da profissão.

Assista abaixo ao trailer do telefilme ‘Hemingway & Gellhorn’ (em inglês):

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