Jornalista: no limite do corpo e da mente

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Por Juliana Perissê

Agilidade, criatividade, capacidade de improviso, concentração, comunicação, simplificação, objetividade etc. São muitas as características que um jornalista deve possuir. Dentre elas, chamemos a atenção para uma em especial: resistência. Em meio a grande competitividade, são poucos os jornalistas que admitem alguma fragilidade emocional. É preciso resistir e ainda ser imparcial ao relatar fatos. O dia a dia dele não abre espaços para fraquezas, dúvidas ou medos.

Segundo dados da Dart Center for Journalism and Trauma – organização norte-americana que capacita profissionais dessa área para encararem situações de tensão – entre 86% e 98% dos jornalistas são expostos a eventos traumáticos durante o exercício da profissão. O site Career Cast avaliou 200 profissões diferentes nos Estados Unidos e listou, em 2011, as 10 mais estressantes: em quarto lugar estava o fotojornalista e, em quinto, o repórter. Para esse resultado, foram avaliados, entre outros critérios, as condições do ambiente profissional, o grau de competitividade e os riscos no trabalho, além de salário e potencial de crescimento na carreira.

Médicos, policiais, bombeiros são treinados para lidar com situações extremas de emergência. E o jornalista? O apoio psicológico a esses profissionais ainda é bastante precário e as sequelas, a maioria das vezes, são julgadas como “frescura”, preguiça ou falta de coragem. Vários deles voltam de coberturas jornalísticas com sintomas de estresse pós-traumático, insônia, baixa libido, alterações de apetite, irritabilidade, flashbacks involuntários de certos momentos de tensão, entre outros.

Os jornalistas, em primeiro lugar, devem reconhecer as próprias vulnerabilidades para não ultrapassarem os limites do corpo e da mente. Há também uma necessidade de maior capacitação desses profissionais – oferecida pelos chefes de redação ou pelas universidades – para enfrentarem situações de tensão. Além disso, psiquiatras dizem que o “desabafo” sobre a experiência vivida pode evitar danos emocionais maiores, por isso o diálogo deve ser estimulado entre membros de uma equipe jornalística. O instituto Dart Center for Journalism and Trauma possui cartilhas sobre como fazer coberturas delicadas, como guerras, catástrofes naturais e episódios envolvendo crianças.

O vídeo abaixo mostra uma parte da reportagem “Profissão Perigo”, que relata as situações de risco a que promotores e jornalistas se submetem no exercício da profissão. O trecho sobre jornalismo começa aos 4m35:

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