ENTREVISTA COM MARA MOURÃO

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Por Camila Curado

Dos dias 6 a 10 de agosto, em Paraty, no Rio de Janeiro, a Facto, junto com centenas de outras empresas juniores, presenciou a Conferência Mundial de Empresas Juniores – JEWC 2012. Lá, tivemos oportunidade de conversar com a diretora e roteirista Mara Mourão. Na entrevista, além de comentar sobre empreendedorismo social, ela também contou sobre seu último trabalho, o longa-metragem Quem se importa, lançado em Brasília na última sexta-feira, dia 10. Confira:

Facto: Empreendedorismo social é um termo relativamente novo, mas vem tendo aceitação enorme e cresce no mundo, o que demonstra o quanto as pessoas se preocupam com problemas sociais. Como você vê o impacto do empreendedorismo social futuramente no Brasil e no mundo?

Mara: Eu acho que a sociedade está mudando muito e a tendência é o setor cidadão continuar a crescer mais que o setor privado, justamente porque as pessoas se deram conta de que, se não tomarmos cuidado com o coletivo, a nossa espécie não irá sobreviver. Pela primeira vez na história, o mundo todo tem uma questão comum: a causa ambiental e, por consequência, a social. Acredito que o primeiro setor irá se fundir com o setor social e que, cada vez mais, o setor privado terá responsabilidade social não só como maquiagem, mas também como seu próprio DNA. Isso é uma tendência no mundo: os interesses se fundirem. Daqui a pouco, todos nós seremos agentes transformadores. Mas, agora, precisa haver esse casamento do setor privado com o setor social. E o setor público deve pegar essas ideias e transformá-las em políticas públicas. Nem tudo que o setor social propõe pode ser feito só pelo social, o governo tem que participar também. Ao mesmo tempo, as ações não devem partir só por parte do governo, tem que haver a esfera social para dar certo.

Mara Mourão, diretora e roteirista, entre a Diretora de Redação Julia Lugon e a Assessora de Comunicação Camila Curado

F: Como você vê o papel da empresa júnior nesse meio?

M: As empresas juniores têm papel fundamental, tanto na questão clássica da formação quanto na profissionalização acadêmica. A tendência é os jovens se engajarem cada vez mais na questão social, e as empresas juniores tem potencial para mudar a sociedade, pois são compostas por pessoas interessadas em serem transformadoras.

F: Você começou a carreira com comerciais, passou a fazer comédias e, atualmente, lançou seu segundo documentário. Como ocorreu essa transição?

M: Foi uma transição bem natural, não foi algo planejado. Eu me interessava por causas sociais e meu marido, o Wellington Nogueira, trabalha com isso. Ele é o fundador de Doutores da Alegria e eu quis mostrar o trabalho dos integrantes dessa ONG, que são especializados em levar alegria a crianças hospitalizadas. A partir desse meu trabalho, comecei a perceber a importância do cinema como um canal transformador também. Eu ouvia as pessoas dizendo que meu documentário, Doutores da Alegria, havia mudado a vida delas e percebi que queria usar o cinema para gerar impacto na vida das pessoas. Então, Quem se Importa acabou se tornando um upgrade do meu primeiro documentário, e investiga a fundo a vida dos transformadores sociais.

F: De que maneira assessores de imprensa podem se tornar agentes transformadores?

M: Ah, de diversas formas! Qualquer pessoa pode se tornar um agente transformador utilizando os recursos que tiver, e o assessor apresenta diversas ferramentas para isso. Esse profissional lida com a informação e, por isso, possui grande poder sobre a sociedade e é capaz de mudá-la.

F: Além de recursos financeiros, o que um cineasta precisa para fazer um bom documentário? Qual a maior dificuldade e como superá-la?

M: Bom, a maior dificuldade para se fazer um documentário é arrecadar recursos. Eu demorei três anos para arrecadar recursos para o Quem se importa. Mas não existe um segredo para se fazer um bom documentário. Se você tem uma causa para defender e quer falar sobre ela, faça um documentário sobre isso.

Mara Mourão ministrou a palestra de abertura do último dia do JEWC 2012. An ‘Everybody can be a changemaker’ world mostrou-nos que existem diversas maneiras de melhorar realidades, com sabedoria e dedicação. Muitos casos retratados estão presentes no documentário Quem se importa, em cartaz no Cine Cultura do Liberty Mall, na sessão das 14h e das 16h. Assista ao trailer:

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